PERDAS DE ÁGUA NO BRASIL E NO MUNDO

 No Brasil, é comum o registro de sistemas públicos de tratamento e distribuição de água para abastecimento com elevados índices de perdas.  Em 2000 a média nacional das perdas nos sistemas de abastecimento de água brasileiros situou-se no patamar dos 40%, com os maiores valores alcançando a casa dos 70% e os menores valores girando em torno dos 20% (WERDINE, 2002, p. 21). O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de União dos Palmares (SAAE/UPA) não foge à regra: é de aproximadamente 40% o índice de perdas na distribuição.

O abastecimento de água, por suas características próprias, demanda certo grau de perda da produção, ou seja, não é concebível a ideia de obter perda zero neste setor da economia. Nos países mais eficientes as perdas médias giram em torno de 17%, variando de 7% em países como Singapura, Suíça e Alemanha, a 25% e 30% na Grã-Bretanha, Taiwan e Hong Kong (PNCD, 2003).

Nos sistemas públicos de abastecimento, do ponto de vista operacional, as perdas de água são consideradas correspondentes aos volumes não contabilizados. Esses englobam tanto as perdas físicas, que representam a parcela não consumida, como as perdas não físicas, que correspondem à água consumida cujos volumes não são registrados.

As perdas físicas originam-se de vazamentos no sistema, envolvendo a captação, a adução de água bruta, o tratamento, a adução de água tratada e a distribuição, além de procedimentos operacionais, como lavagem de filtros e descargas na rede, quando estes provocam consumos superiores ao estritamente necessário para a operação.

A redução de perdas físicas permite diminuir os custos de produção – mediante redução de consumo de energia, de produtos químicos e outros insumos – e utilizar as instalações existentes para aumentar a oferta, sem expansão do sistema produtor.

A redução das perdas não físicas permite aumentar a receita tarifária, melhorando a eficiência dos serviços prestados e o desempenho financeiro do prestador de serviços. Contribui indiretamente para a ampliação da oferta efetiva, uma vez que induz á redução de desperdícios por força da aplicação da tarifa aos volumes efetivamente consumidos.

INDICADORES DE PERDAS

 Segundo Werdine (2002, p. 20) no Brasil, um dos principais problemas que afetam a eficiência dos serviços de abastecimento de água diz respeito ao grande desperdício do recurso e à elevada perda de água que ocorre nos sistemas.

As perdas ocorrem desde a captação de água até a distribuição e se devem, principalmente, à operação e manutenção deficientes e inadequada gestão das companhias de saneamento (MILTON, 2005, apud ALMEIDA, p. 4).

Em sistemas de abastecimento, perdas de água é toda perda física, ou não física, ou todo o consumo não autorizado que determina aumento do custo de funcionamento ou que impeça a realização plena da receita operacional.

Os indicadores facilitam o estudo sobre as perdas, pois permitem retratar as mesmas, gerenciar a evolução dos volumes perdidos, redirecionar ações de controle e também comparar o desempenho de diferentes sistemas de abastecimento.

Os principais métodos para a determinação dos volumes relativos às Perdas Reais e construção de indicadores foram elaborados pela Association Générale dos Hygiénistes et Techniciens Municipaux (AGHTM), e pela International Water Association (IWA), e no caso do Brasil destaca-se os estudos da Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (AESBE) e a Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (ASSEMAE).

O MÉTODO DO BALANÇO HÍDRICO

O Método do Balanço Hídrico, desenvolvido pela IWA, usa a matriz do balanço hídrico anual, para determinar os volumes perdidos. Estes são calculados a partir dos dados da macromedição e da micromedição, e de estimativas para determinar os valores não-medidos que integram a matriz. São feitas hipóteses para determinar as Perdas Aparentes (erros de medição, fraudes, ECT) e, por diferença, definem-se as Perdas Reais.

Segundo Almeida (2002, p.9) as vantagens desse método são a possibilidade de aplicá-lo a diversos setores de abastecimento. A disponibilidade de dados da macromedição e da micromedição nas companhias de saneamento, as hipóteses e estimativas requeridas, na maior parte das vezes, estão baseadas em estudos preexistentes ou dados de literatura, sem custos adicionais, e é relativamente barato.

A maior desvantagem é a baixa precisão dos números associados às hipóteses e estimativas, que reflete na quantificação final das Perdas Reais.

 

Tabela 3 COMPONENTES DO BALANÇO DE ÁGUA (IWSA).

A

B

C

D

E

Volume de entrada no setor m³/ano

Consumo autorizado

m3/ano

Consumo autorizado faturado m3/ano

Consumo medido faturado

m3/ano

 

Água faturada m3/ano

Consumo não medido faturado

m3/ano

Consumo autorizado não faturado m3/ano

Consumo medido não faturado

m3/ano

Consumo não medido não faturado

m3/ano

Perda de água m3/ano

Perda Não Física m3/ano

Consumo não autorizado

m3/ano

Água não convertida em receita m3/ano

Erro de medição

m3/ano

Perda Física

m3/ano

Vazamento extravasamento

m3/ano

Vazamento em adutoras e redes

m3/ano

Vazamento em ramais

m3/ano

 

 

MÉTODO DAS VAZÕES MÍNIMAS NOTURNAS

 A base deste método é a variação dos consumos no sistema de abastecimento de água ao longo do dia. Sabe-se que o pico de consumo geralmente se dá entre 11:00 e 14:00 h, e o mínimo consumo normalmente se dá entre 3:00 e 4:00 h. A vazão correspondente a esse consumo mínimo é denominada “Vazão Mínima Noturna”, que pode ser medida através do uso de equipamentos de medição de vazão e pressão, desde que adotados procedimentos adequados de fechamento dos registros limítrofes do subsetor em análise.

A utilização da Vazão Mínima Noturna para a determinação das Perdas Reais é vantajosa devido ao fato de que, no momento de sua ocorrência, há pouco consumo e as vazões são estáveis, e uma parcela significativa do seu valor refere-se às vazões dos vazamentos.

As vantagens desse método são a maior representatividade do valor numérico das perdas reais para o subsetor, retratando a realidade física e operacional da área, e proporcionar o conhecimento das condições operacionais da área às equipes técnicas da companhia de saneamento.

As desvantagens são que o ensaio é feito em uma área relativamente pequena do setor de abastecimento, podendo induzir a equívocos se os valores forem simplesmente extrapolados ao conjunto do setor, e por  envolverem custos com equipes e equipamentos de medição de vazão e pressão.

PERDAS DE ÁGUA NO SAAE DE UNIÃO DOS PALMARES

 vazamento

O sistema de abastecimento é composto por Estação de Captação/Elevatória, Estação de Tratamento de Água (ETA) convencional com capacidade de tratamento de 160m³/h, dois reservatórios de distribuição de 1 milhão de litros cada, rede de distribuição de extensão estimada em 100 quilômetros de tubos com diâmetros de 50mm a 300mm, e três elevatórias de água tratada para atender bairros mais distantes.

A pesar de apresentar índice de micromedição

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